Sunday, May 24, 2009

Eduardo Santos Carneiro

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Wednesday, April 22, 2009

Homenagem a D. Nuno Álvares Pereira

D. Nuno Álvares Pereira O Santo Condestável

Nuno de Santa Maria, ou simplesmente Nun’Álvares, nasceu em Cernache do Bonjardim no dia 24 de Junho1360 e faleceu a 1 de Novembro1431. Foi um general português do século XIV que desempenhou um papel fundamental na crise de 1383-1385, onde Portugal defendeu a sua independência contra Castela. Nuno Álvares Pereira foi também conde de Barcelos.

Apenas como exemplo, possuía em Esmeriz, Vila Nova de Famalicão a Honra de Pereira a qual doou à sua filha, Dª Beatriz Pereira, pelo seu casamento com o infanteD. Pedro Afonso…
D. Nuno Álvares Pereira, canonizado no dia 26 de Abril de 2009.

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       Eduardo Santos Carneiro

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Monday, November 24, 2008

Festas e Romarias do Norte de Portugal (Famalicão)


Concelho de V.N.Famalicão

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As grandes romarias do concelho de Famalicão no início do século XX ainda existem nos dias de hoje.

A primeira romaria do ano é a Senhora das Candeias, na freguesia de Landim, esta festa celebra-se a 2 de Fevereiro. Sobre esta grande romaria vou citar uma pequena notícia vinda no jornal «Estrella do Minho», e que diz:

“Vai-se realizar na bonita freguesia de Landim, … a popular romaria da Senhora das Candeias, a que concorre sempre crescido número de pessoas do nosso concelho (Famalicão) e do de Santo Thyrso” (1).

Outra grande romaria é a do Senhor do Santo Monte na freguesia do Louro, que fica relativamente perto de Famalicão. Esta romaria realiza-se no Domingo de Pascoela, e “é realizada no pitoresco lugar do Monte do Louro, à qual concorre sempre grande número de pessoas…”(2), pessoas essas que iam de Famalicão e de várias freguesias vizinhas do Louro.

A 16 de Julho realiza-se a grande romaria da Senhora do Carmo na freguesia de Lemenhe, esta é actualmente uma das grandes romarias do concelho, como há cem anos atrás o jornal traz uma nota sobre esta romaria, assim de como todas as festas do concelho.

A 25 de Julho, o Senhor dos Aflitos, em S. Tiago da Cruz é também considerada uma das cinco grandes romarias do concelho de Famalicão.

Passo a citar notícias do início do século XX que falam da romaria do Senhor dos Aflitos:

“Teve lugar na Quinta e Sexta-feira passada a popular romaria do senhor dos Aflitos, no pitoresco monte de S. Tiago da Cruz e uma das mais importantes do nosso concelho. Como de costume afluiu ali muita gente do nosso concelho e dos vizinhos…”(3).

Acerca desta romaria devo ainda referir alguns pormenores. “São bem typicos do nosso Minho encantador, aqueles descantes à desgarrada… Guapas raparigas saracoteiam donairosas as danças características…Este ano (na romaria do Senhor dos Aflitos) temos… para mais chamariz, o fogo pirotécnico de Viana de efeitos deslumbrantes(4). É sem dúvida pela descrição feita, uma bela romaria.

Para terminar as grandes romarias do concelho devo referir a romaria nova em Lousado (5), romaria esta existente ainda hoje.

Para além destas romarias havia ainda muitas festas populares, em todo o concelho, como exemplo; Festa a S. Marçal em Esmeriz, Festa a Santa Catarina no Monte do Facho - Calendário, festas estas ainda existentes hoje.

As romarias eram por excelência o grande divertimento para a população em geral, a qual se divertia e repousava de um ano cheio de trabalho, trabalho agrícola essencialmente.

O jornal semanário «Estrella do Minho» refere-nos isto mesmo dizendo que, “com o mês de Junho chegamos à efervescência das festas por toda a parte, domingos a seguir, casando-se a alegria do povo, o estalejar dos foguetes, o ri bombo dos morteiros, repiques alegres dos sinos, com o chilreio dos passarinhos e da vegetação, inebriando-nos no seu tapete de verdura pelos horizontes sem fim” (6).

“Tudo está em festa, convidando ao abandono das cidades e ir para o campo e praias beber o ar puríssimo, contemplar o eternamente inédito por mais que se contemple, o campo e o mar” (7).

Devo salientar que o festejo popular ao qual afluíam mais pessoas, pois era uma das maiores festas da região minhota, era o das festas Antoninas de Famalicão, eram e são hoje uma das maiores festas do Minho.

Segundo notícias de 1906, soube que pela altura das festas de Santo António eram distribuídos por todo o país, os programas das festas. “Todas as vias-férreas da província oferecem comboios extraordinários a preços muito reduzidos” (8). 

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(1) in Estrella do Minho - 1/Fev/1903, “Senhora das Candeias“p1

(2) Idem…  12/Abr/1903, “Santo Monte

(3) Idem … 27/Jul./1902, ” Senhor dos Aflictos

(4) in Estrella do Minho -  Famalicão, 19/Jul/1903, “Senhor dos Aflictos”, p. 3.

(5) Freguesia do Concelho de Famalicão.

(6) in Estrella do Minho - Famalicão - 16/Jun/1901, “Festas” p.2.

(7) Idem , … 16/Jun/1901.

(8) Idem , … 06/Mai/1906, “Festas Antoninas” p1.

CARNEIRO, Eduardo Manuel Santos (1997) -”Actividades Sócio-Culturais, Comerciais e Personalidades de V. N. Famalicão no início do século XX”, Boletim Cultural nº 14(C.M. Famalicão), V. N. Famalicão.
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Sunday, October 5, 2008

O PROFESSOR

Dia Mundial do Professor

“O professor é detentor de inúmeros e diversificados poderes, legitimados pela escola, pela família e pela sociedade. O poder do professor é tão mais forte quanto mais diversificadas forem as suas bases de sustento e quanto mais estas se apresentarem em congruência com as finalidades a nível do sistema educativo(…)”*

*CARNEIRO, Eduardo Santos; CARNEIRO, Ana Paula Quinta Castro Faria(2003), A Indisciplina, as Relações de Poder e as Regras na Sala de Aula, ESELX, Lisboa.

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Wednesday, September 3, 2008

Barão de Joane

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Nesta pequena biografia vou referir-me ao 2º Barão de Joane, filho de António Luís Machado Guimarães que foi o primeiro Barão de Joane, fidalgo cavaleiro da Casa Real.“Quanto ao 2º Barão de Joane, António  Machado Guimarães, devo dizer que foi um dos primeiros vultos do concelho de Famalicão, e um grande benemérito” (38). Nasceu no ano de 1847 e faleceu em 1909.

Para melhor conhecermos este personagem ilustre de Vila Nova de Famalicão vou citar alguns trechos que encontrei no jornal local «Estrella do Minho».

“O Sr. Barão de Joanne é um dos caracteres, só amigos de fazer bem, pairando o seu espírito muito acima da mesquinhez humana. Como politico, ele é, incontestavelmente um dos primeiros vultos do nosso concelho. Excelentemente relacionado nas altas regiões, ele vai praticando o bem, prestando valiosíssimos serviços a todos que dele se acercam…” (39).

Grande elogio faz o jornal «Estrella do Minho» ao Sr. Barão de Joane, e não só nesta nota mas em todas.

“O Exmo. Barão de Joanne, irmão do ornamento da nossa Universidade e lidimo cavalheiro, Sr. Dr. Bernardino Machado. Prestabilíssimo para toda gente… por isso possui a estima de todos, pessoal e politicamente falando.

Na politica progressista do concelho, de que é incontestavelmente o mais prestigioso chefe, é ele também consideradíssimo pelos marechais do partido, que reconhecem que a dedicação do Sr. Barão de Joanne, é das que, embora o partido se dissolvesse, ele é que ficaria onde sempre esteve.

Mas onde a sua obra social mais avulta, é no benefício que tem prestado à nossa terra.

Por seu intermédio temos a majestosa escola… a favor das crianças. Ao nosso hospital, também ele se devotou em largos anos de serviços…

Na Câmara Municipal também o puritanismo da sua boa vontade se manifestou de sobra e continuará mais tarde na sua patriótica e interrompida tarefa” (40).

Um homem importante do concelho de Famalicão, e disso não há dúvidas, pois ocupou vários cargos, como o de presidente da Câmara Municipal e o de provedor do Hospital S. João de Deus. “Foi provedor do Hospital, de 1 de Julho de 1890 até 1 de Julho de 1894  e de 1 de Julho de 1903 até à sua morte em 1909″ (41).

De todas estas notas pode-se concluir que o Sr. Barão de Joane era muito querido por todos, e fazia todo o bem que estava ao seu alcance em prol do concelho.

Era irmão de uma grande figura ilustre nacional, o Dr. Bernardino Machado que foi presidente da Republica portuguesa por duas vezes.

O Barão de Joane possuía um belo solar - a casa de Rorigo, em Calendário, freguesia vizinha da cidade de Famalicão.

Quanto ao nome de Joane, herdou o título do seu pai, 1º Barão de Joane, freguesia de onde era natural.

Aquando da morte do Barão de Joane em 1909 o semanário «Estrella do Minho» dedicou-lhe a primeira página, onde enaltece este grande homem Famalicense, como veremos a seguir.*

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               (38) in Estrella do Minho - Famalicão, 26/Jan/1902, “Barão de Joanne” p.1.

               (39) Idem, … 17/Jan/1901.

               (40) in Estrella do Minho - Famalicão, 26/Jan/1902,” Barão de Joanne” p.1.

               (41) CARVALHO, Vasco de - Aspectos de Vila Nova , Vila Nova de Famalicão, Tip. Central, 1956.

               (*) CARNEIRO, Eduardo Manuel Santos (1997) -”Actividades Sócio-Culturais, Comerciais e Personalidades de V. N. Famalicão no início do século XX”, Boletim Cultural nº 14, Vila Nova de Famalicão.

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Monday, March 31, 2008

Alimentação em Portugal - apontamentos históricos - “o vinho”

… “o vinho”, http://sol.sapo.pt/blogs/eduardocarneiro

Produto essencial na alimentação, pelo menos da população mediterrânica. As vinhas eram dominantes em toda a Europa Mediterrânea, e outras zonas da Europa Central e do Norte. Quanto ao seu consumo deve referir-se que com o século XVI a embriaguez terá aumentado por todo o lado (45), e isto porque “o vinho seguiu os europeus para fora da Europa, zonas do México, Peru, Chile – no século XVI, na Califórnia no século XVII” (46).

         Segundo Fernand Braudel, os êxitos mais estrondosos são em pleno Atlântico, entre o velho e o novo mundo, nas ilhas da Madeira e dos Açores (47).

         Quanto a Portugal, pelo seu ditoso clima, possui condições em extremo favoráveis ao seu desenvolvimento.

         A videira apresenta muitas variedades, conforme as regiões:

         - Entre Douro e Minho, onde o solo é granítico predomina a videira de vinho verde. Na parte média da bacia do Douro, medra a videira do vinho generoso.

         - Entre o Dão e o Mondego, existência da videira do vinho Dão.

         - No Alentejo, o vinho de Borba e Pêra Manca.

         - No Algarve outros tipos de vinho (48).

         Há ainda a referir outras zonas de vinho no nosso país, que se foram criando no século XIX e XX.

         No que diz respeito à época medieval há documentos onde se pode ver referências à viticultura, respectivamente as regiões da Beira e Entre Douro e Minho, embora também existisse noutras regiões do país, “visto que tal cultura já existia na Lusitânia Romana e pré Romana” (49).

         Nesta época medieval e mesmo na época moderna bebia-se muito, “o vinho dava força, alegria e não transmitia doenças. Havia sem dúvida, um consumo exagerado de vinho como se pode comprovar através de vários documentos” (50).

         No que respeita às zonas cultivadas,  em meados do século XIX e inícios do XX, deve salientar-se que o vinho estava já presente um pouco por todo o continente, podem-se até destacar três grandes centros vinícolas:

         “Minho - produz vinho verde, destinado na sua quase totalidade ao consumo da própria região.

         Alto-Douro - produz a única qualidade de vinho que é objecto de forte mercantilização, o vinho do Porto e, em termos de valor, que maior importância tem na economia portuguesa.

         Estremadura e o Ribatejo - integram o terceiro grande centro vinícola dedicado à produção de vinhos maduros de fraca qualidade e na sua quase totalidade destinados ao consumo corrente” (51).

         Podemos assim concluir que o vinho era um produto importantíssimo para a população e para a economia do país, caso do vinho do Porto, que era exportado.*

__________

(45) BRAUDEL, Fernand - As Estruturas do Quotidiano…, Tomo 1, Lisboa, Ed. Teorema, 1985, p. 198.

(46) Idem, Ibidem, p. 198.

(47) Id., Ibid., p. 199.

(48) VASCONCELOS, J. Leite de - Etnografia Portuguesa, vol. III, Lisboa, Imp. Nacional de Lisboa, 1941, pp. 73 - 75.

(49) Idem, Ibidem, p. 75.

(50) ARNAUT, Salvador Dias - O Livro de Cozinha da Infanta D. Maria de Portugal, Coimbra, 1967.

(51) JUSTINO, David - A Formação do Espaço Económico Nacional…,vol. 1,Lisboa,Ed. Vega, s/d., pp.44

*CARNEIRO, Eduardo Manuel Santos (1996)-Alimentação em Portugal, Subsídios para o seu Estudo, Univ. Portucalense, Porto.
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Friday, November 30, 2007

Foral de Dª Maria II - Famalicão

É no reinado de D. Maria II, que a povoação se elevou à categoria de Vila, o que se lê na carta de 10 de Julho de 1841 “attendendo que na povoação de Famalicão concorrem as necessárias proporções para sustentar com dignidade o titulo de villa, tanto pelo seu comercio e subido numero de propriedades, como pela grandeza dos seus edificios, nos quais últimamente se tem feito consideráveis melhoramentos e tendo outro sim attenção à lealdade que distingue os seus habitantes, Hei por bem … que fique erecta em villa, denominando-se Villa Nova de Famalicão”.

Sendo terra e povoação antiga, Vila Nova de Famalicão é um concelho moderno, criado em 1835 por carta de foral da rainha D. Maria II, a qual também lhe restitui em 1841, o titulo de “villa”(*).

A partir de meados do século XIX, depois da refundação do concelho e com a abertura da estrada Porto - Braga em 1875, Famalicão entra numa fase de grande desenvolvimento. Constroiem-se edíficios públicos, como o Hospital da Misericordia (1878), e os Paços do Concelho em 1881 e erguem-se “edíficios particulares luxuosos”(*)
com capitais vindos do Brasil, de que é exemplo o “Palacete do Barão da Trovisqueira” *(*)

É nessa época que começam a instalar-se na vila e no concelho, fábricas e oficinas, são os casos da fábrica de relógios “A Boa Reguladora” em 1895, da Tipografia Minerva em 1886 e das fábricas texteis em Riba de Ave, freguesia pertencente ao concelho de Vila Nova de Famalicão. Das fábricas de Riba de Ave posso referir a primeira a ser instalada que foi em 1890 pelo Barão da Trovisqueira, em 1896 a Sampaio Ferreira fundada por Narciso Ferreira, que se tornou no maior industrial português no ramo da indústria textil (**)

*VIEIRA, J. A. - O Minho Pitoresco - Lisboa, Ed. Lisboa - 1887.

**Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira ,Lisboa, Ed. Enciclopédia Lda. , s/d, vol.11, p.177.

CARNEIRO,EduardoManuel Santos”ActividadesSócio-Culturais,Comerciais e Personalidades de V. N. Famalicão no início do século XX”, Boletim Cultural nº 14, V. N. Famalicão, 1997.

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Wednesday, October 31, 2007

Narciso Ferreira - Industrial Textil, Riba D’Ave - Famalicão



Narciso Ferreira nasceu em Pedome, freguesia do concelho de Vila Nova de Famalicão, a 7 de Julho de 1862 (83), e morreu a 23 de Março de 1933 (84). “Começou a trabalhar muito novo, vendendo fazendas pelas localidades circunvizinhas da sua terra natal. Um dia resolveu montar uma pequena fábrica manual de tecidos de algodão.
Os seus conhecimentos técnicos levaram-no a montar na margem do Ave a sua primeira fábrica mecânica, que pela grandeza e prosperidade atingida foi sucessivamente dotada de novas oficinas. O modesto comerciante tornou-se então no maior industrial português no ramo têxtil” (85).
“Já em 1902 Narciso Ferreira era um activo industrial e possuía a importante fábrica de fiação de Riba d’Ave da Firma Sampaio, Ferreira e Cª” (86).
Mais uma personalidade Famalicense de renome nacional e internacional, sem dúvida um dos maiores industriais do nosso país, sendo o mais importante da indústria têxtil. Já no início do século XX era o maior industrial do Norte, segundo nos informa o jornal regional «Estrella do Minho». ” A importante fábrica de fiação e tecidos dos Srs. Sampaio, Ferreira e Cª, em Riba de Ave, formando honrosamente ao lado das mais esperançosas empresas industriais do norte do país, é contudo a mais importante do Rio Ave e do nosso concelho… Tem cerca de 600 operários” (87).
Devo salientar que todas as empresas de Narciso Ferreira se situavam na zona de Riba de Ave, freguesia pertencente ao concelho de Vila Nova de Famalicão com muitas tradições no ramo da indústria têxtil, assim como Santo Tirso e Guimarães.
É referenciado várias vezes no jornal local onde se lê noticias sobre compras de mais terrenos para a construção de fábricas, bem como a compra de quedas de água no Rio Ave, onde Narciso Ferreira construía  as suas mini - hídricas  para obter a electricidade necessária para o funcionamento das suas fábricas…
Narciso Ferreira para além de ter sido um grande benemérito na sua terra, Riba de Ave e freguesias vizinhas, todas do concelho de Famalicão,”…foi notável a sua acção beneficiente construindo o hospital de Riba de Ave, …construiu cinco grandes bairros operários, uma creche, um quartel para a Guarda Nacional, fundou escolas em várias localidades” (88).
Foi sem dúvida um grande benemérito, e isso ainda se pode ver hoje na vila de Riba de Ave, todas as grandes obras lá existentes foram mandadas fazer pelo Sr. Narciso Ferreira e seus familiares, o hospital, o cine-teatro Narciso Ferreira, grandes fábricas na margem esquerda do Rio Ave, assim como o mercado local, a estalagem, o quartel de bombeiros, a estação de correios, bairros sociais, etc, enfim um grande número de edifícios.
“O governo, reconhecendo os altos serviços prestados por Narciso Ferreira às indústrias e seus actos de generosidade, galardoou-o com a grã-cruz das Ordens de Mérito Industrial e Benemerência.
Era sócio das firmas Sampaio-Ferreira e Cª Lda. Oliveira Ferreira, e Cª de Caniços; Fábrica de Bairro, Empresa Têxtil Eléctrica Lda.; e de outras mais.
Fundou além da empresa Hidro - Electrica de Varosa, a Empresa Florestal Portuense e foi presidente da Associação Comercial e Industrial de Famalicão” (90).

                                  


          

                                                          Casa Conde de Riba D’Ave             

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(83) Aurélio Fernando - Riba de Ave em Terras de Entre Ambas as Aves,  Riba de Ave , Ext. Delfim Ferreira, 1994, vol II, p 15.
(84) Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira - Lisboa, Ed. Enciclopédia Lda., s/d, vol 11, p. 177.
(85) Idem, Ibidem.
(86) in Estrella do Minho - Famalicão, 12/Out/1902, “Narciso Ferreira“, p.1.
(87) Idem, … 5/Fev/1905, “Fábrica de Riba d’Ave“, p.1.
(88 e 90) Grande enciclopédia Portuguesa e Brasileira - Lisboa, Ed. Enciclopédia Lda., s/d, Vol 11, p. 177.

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Saturday, October 20, 2007

Alimentação em Portugal - apontamentos históricos

Alimentação em Portugal - apontamentos…

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Descrição da alimentação de um jornaleiro agrícola, no concelho de Vila Nova de Famalicão -início do século XX.

            “A ração diária d’ um adulto - médias.

            Em géneros : Pão de milho, legumes sêccos, legumes verdes, batatas, peixe salgado, azeite ou gordura de porco, carne de porco (esta última só quando comem na casa do patrão) “ (27).

            Pedro Dória Nazareth descreve a população da zona de Vila Nova de Famalicão no início do século XX, dizendo que ” é na sua maioria uma população robusta e resistente não abusando do álcool.

            Se trabalham a sêcco, o que é rarissimo entre os jornaleiros, tomam sempre três refeições, sendo a primeira às 8 horas da manhã e a última à noite, compostas de uma grande malga de caldo de legumes e pão de milho, a segunda ao meio dia, é constituída pelo mesmo caldo e pão de milho e mais um pouco de bacalhau ou duas sardinhas.

            Quando comem por conta do patrão, de Inverno tomam as mesmas três refeições mas  acrescentando à primeira, sardinhas ou bacalhau e batatas ensopadas, e na segunda comem o bacalhau acompanhado de arroz ou batatas, e duas a três vezes na semana carne de porco.

            Nestas circunstâncias têem ainda no Verão mais duas refeições, à pega às dez horas da manhã e à merenda às cinco horas, constituídas por pão e vinho” (28).

            Para finalizar deve ser referido que no seu aspecto geral, a alimentação do trabalhador rural “é monótona, com pouca variedade, em que a maior parte das substâncias nutritivas é fornecida pelo pão de milho. . . “ (29).

(27) NAZARETH, Pedro Dória - Estudo sobre a alimentação das classes trabalhadoras no continente de Portugal, in Tuberculose

“Boletim da Assistência Nacional aos Tuberculosos, Lisboa, nº 4, 1907.

(28) Idem, Ibidem.

(29) ALMEIDA GARRETT, António de - Hábitos Alimentares…, in Portugal Médico, vol.XX, nº 10, Porto, 1936, pp.431-432.

Trabalho de Pesquisa:

CARNEIRO, Eduardo Manuel Santos (2002)-“Alimentação em Portugal - Subsídios para o seu estudo” Universidade Portucalense, Porto.

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Saturday, October 6, 2007

Alberto Sampaio - Historiador

 

Alberto da Cunha Sampaio, nasceu em Guimarães a 15 de Novembro de 1841. Passa a sua infância dividida entre Guimarães, de onde sua mãe era natural, e a Quinta da Boamense na freguesia de S. Cristóvão de Cabeçudos do concelho de Vila Nova de Famalicão, propriedade do seu pai de quem ficou orfão apenas com três meses de idade… (48).”Fez os primeiros estudos no colégio de Landim, freguesia do concelho de Famalicão, terminados os primeiros estudos segue para Braga onde se prepara para entrar na única universidade de então - a de Coimbra. Aí matriculou-se na faculdade de Direito em 1858, concluindo Alberto Sampaio a sua formatura em 1863.

A passagem por Coimbra e a convivência que aí manteve com homens de talento excepcional como Antero de Quental, João de Deus, Teófilo Braga, Eça de Queiroz, Guerra Junqueiro e tantos outros, influenciaram profundamente a sua formação intelectual” (49).

Podemos concluir do que aqui foi referido, e tendo por base outros documentos que o Dr. Alberto Sampaio era sem dúvida uma pessoa de grande talento. Era “excepcionalmente inteligente, culto e sabedor. Alberto Sampaio dedica-se apaixonadamente ás investigações históricas e aos estudos agrícolas revelando-se o historiador exacto, rigoroso e profundo.

Os estudos históricos-económicos atraem-no e a eles se dedica com entusiasmo (50).

Do imenso labor de Alberto Sampaio nascem «As Vilas do Norte de Portugal» e mais tarde «As Póvoas Marítimas»…, trabalhos que o colocam ao nível dos nossos maiores historiadores de então: Alexandre Herculano e Gama Barros” (51).

“A obra de Alberto Sampaio está também dispersa em revistas científicas, onde se vê que ele denota uma invulgar penetração critica e poder de análise” (52).

Foi sem dúvida um grande historiador, o Dr. Alberto Sampaio viajou pelo estrangeiro e conhecia-lhe as opiniões eruditas. Permaneceu algum tempo em Lisboa frequentando meios literários, sobretudo o da Gazeta de Portugal, mas nenhuma das suas cartas é datada da capital; é de Guimarães, de Famalicão em cujo concelho se situava a casa paterna de Boamense (53), Casa situada num local calmo, o lugar exacto para se poder reflectir e repousar.

O Dr. Alberto Sampaio faleceu com a idade de 67 anos, no dia 1 de Dezembro de 1908, na sua casa de Boamense, e acerca da sua morte vou citar um extracto do jornal semanário «Estrella do Minho» de Famalicão no qual está escrito:

“-Faleceu em Boamense, Cabeçudos, o Dr. Alberto Sampaio que era um escriptor erudito que deixa um nome notável como historiador e ethenographo. A sua obra dispersa em revistas scientificas, denota uma invulgar penetração critica e poder de analyse que o collocam a par com os mais proeminentes publicistas…

… Era um grande espírito, prespicaz e inconfundível. Pois apesar d’isso era quasi um desconhecido entre nós” (54). Realmente Alberto Sampaio era um desconhecido na sua época em Famalicão, pois em Famalicão ele refugiava-se na sua quinta, mas o meio intelectual português conhecia-o bem, era um homem de valor nacional.

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(48) FARIA, Emília Sampaio Novoa, Notas Biográficas Sobre Alberto Sampaio-s/l, Câmara Mun. de V. N. de Famalicão-s/d, p17

(49) Idem, Ibidem

(50), (51) FARIA, Emília Sampaio Novoa, Notas Biograficas Sobre Alberto Sampaio-s/l, Câmara Mun. de V. N. de Famalicão-s/d,

(52), (53) In Estrella do Minho - Famalicão, 6/Dez/1908, “Dr. Alberto Sampaio“, p.1.
Pesquisa de: CARNEIRO, Eduardo Manuel Santos (1997) – “Actividades Sócio-Culturais, Comerciais e Personalidades de V. N. Famalicão no início do século XX”, Boletim Cultural nº 14, V. N. Famalicão, 1997.

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